Kassab e Delúbio: a falência do sistema partidário brasileiro
A criação do PSD, liderada pelo Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, um partido que entra para o anedotário nacional por não ser nem de esquerda, nem de direita, nem de centro, mas neutro, eufemismo utilizado com o objetivo de abrigar oposicionistas de hoje e que amanhã acordarão apoiando o governo, e a refiliação de Delúbio Soares, artífice do Mensalão, ao PT, em clara compensação pelo silêncio que manteve nos últimos 6 anos, são demonstrações evidentes de que o sistema partidário brasileiro está falido. Indícios são conhecidos há tempos. Esses dois fatos, porém, mostram que não há saída. A reforma do sistema partidário é essencial para qualificar a democracia brasileira. Nossa democracia é eficiente ao garantir liberdade, ao cultivar a tolerância e, nos últimos 20 anos, permitiu estabilidade econômica e a ascensão social de milhões de pessoas. Pela fragilidade dos partidos políticos, porém, o recrutamento de lideranças que constituem a elite política é precário e transmite a sensação de que somos governados e representados por qualquer um. Como consequência, emerge o desencanto e o desinteresse com o mundo público, que movimenta bilhões que deveriam ser utilizados para melhorar a vida de todos. Enquanto isso, espertalhões de todo o tipo e grupos organizados tomam conta do Estado brasileiro e fazem da política instrumento para o advento de interesses privados e pessoais. O Estado, por isso, assume posição de descrédito. Nosso sistema partidário deveria ser reduzido a cinco partidos políticos, os atuais mais votados, com a agregação de tendências ideológicas internas, financiamento público de campanhas, a restrição a quantidade de mandatos e reeleição, o fim do voto obrigatório e a gradativa redução do número de cargos à disposição dos partidos que assumem o poder. Qualquer reforma que não mexer nessas questões manterá tudo como está.
Marcadores: política

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