terça-feira, 24 de maio de 2011

Frederic Jamenson: a política pós-moderna é a união entre disputas territoriais e as multidões instantâneas

O espaço pelo tempo. Para o crítico norte-americano Frederic Jamenson a pós-modernidade é o momento no qual a questão espacial superou a temporal. Em palestra na abertura do projeto Fronteiras do Pensamento 2011, segunda, dia 23, no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre, o professor foi além: a política pós-moderna é marcada pelas disputas territoriais. A ecologia diz respeito a isso, as guerras pelo petróleo, a cizânia árabe-israelense, o Código Florestal no Brasil. Conferencista convicente e erudito, Jamenson circula da crítica da arte à gastronomia, envereda pela política e pela economia, dedicando também espaço para uma discussão sobre a experiência individual. Em cada área, tenta mostrar como as transformações contemporâneas convergem para um centro estrutural: as mudanças do capitalismo. Em resumo, a pós-modernidade seria a versão satélite da globalização, representante cabal da terceira fase do capitalismo, posterior ao nacionalismo e ao imperialismo. O olhar marxista de Jamenson não é original, mas sua capacidade argumentativa é contagiante. Ele faz questão de dizer que é um sujeito pós-moderno e que sua análise é uma apresentação de como as coisas são e não uma tentativa de desconstruir ou denegrir a pós-modernidade ou a globalização. Intitulada A Estética da Singularidade, a conferência de Jamenson apresentou ideias interessantes, como o declínio do tema na arte contemporânea em nome dos eventos e uma massificação que atinge a alteridade, impõe um anonimato dominante (o sujeito declina) e faz com que ‘não tenhamos mais provincianos’. Afinal, todos são consumidores, nos tempos de bonança, ou desempregados, nas crises. Nos recentes protestos árabes assistimos, segundo Jamenson, ao fenômeno das multidões instantâneas, interligadas pela tecnologia, anônimas, aparentemente uniformes e fazendo revolução. Para ele, é a representação mais forte da política pós-moderna, ao lado da disputa territorial. Não há dúvida que Jamenson supera um simplismo marxista por vezes recorrente. Além disso, como disse em entrevista a Zero Hora, por influência de Sartre tem interesse na questão da consciência. Nesse caminho, explica o porquê de a globalização ter se transformado na fase posterior de um capitalismo que já foi nacionalista e imperialista mesmo existindo desde antes de ambos os momentos: hoje a globalização afeta as experiências de vida, as subjetividades, por meio de sua face cultural, a pós-modernidade, e em razão disso vive sua etapa de maior relevância. Uma sacada interessante, reconheçamos.

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